20 de junho de 2011

O LUGAR ONDE VIVO...

A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é um concurso de produção de texto que busca estimular o aluno a se interessar mais pela leitura e a escrever melhor. Como o trabalho com a variedade textual é importantíssimo para o conhecimento do aluno, o concurso adota  este tipo de trabalho e premia nas seguintes categorias: poemas, memórias literárias, crônicas e artigos de opinião que são elaborados por alunos de escolas públicas de todo país. A olimpíada sempre acontece nos anos pares e em quatro fases/etapas – municipal, estadual, regional e federal. Parabéns a todos os participantes do concurso em 2010, em especial aos vencedores no nosso município. Conheça agora os trabalhos vencedores nas categorias poema e crônica com o tema " O lugar onde vivo." 

#Categoria 1 – Poema - texto vencedor
 
Escola: Escola Municipal  Padre Carmélio Augusto Teixeira
Aluno: Wesley João das Candeias
Professora: Rosângela Arlinda Estanislau
 
Inconfidências dos loucos

Antes, era do Tiradentes
Agora, do Tonico Zelador
Limpava em volta da estátua
Sem nenhum favor.
Tiradentes? Inconfidente!
Tonico? Zelador do Inconfidente?

Bené da Flauta, escultor solitário
Com as ladeiras de Ouro Preto, solidário
Ah! Se encontrasse com Tomaz
A solidão não lhe pertenceria mais
Mas a Inconfidência lhe antecedeu.

E a Sinhá?
Era a Olímpia!
Era a dona Carochinha
Era conhecida aqui, ali e acolá
Contava histórias e fez história!

Não foi Marília de Dirceu
Nem musa de Tomaz.
Em seus devaneios foi
confidente dos inconfidentes.
Ah! Se nas terras de lá houvessem
Os loucos de cá...

Bené é quem tinha razão
A vida é mesmo assim
“Quem é muito no começo
Chora saudades no fim”!
 
#Categotria 1 - Poema – classificado primeiro suplente

Escola: Escola Municipal Professor Francisco Pignataro
Aluna: Paula Ester Apolônia
Professora: Antonina Rodrigues de Paula Oliveira
 
Retalhos de um distrito
 
Pertenço a uma santa
Santa Rita de Ouro Preto
Ouro Preto é um tal de subir e descer
Descer e subir sem parar
Oh! Quantas subidas e descidas
Temos de agüentar?

Meu distrito não é tão pequenino
È formado por vários pedacinhos
Fico contente por morar em um deles
E por ter bons vizinhos
Compartilhando o meu caminho
Eu moro no Zezinho.

Minha Terra è de área montanhosa
Nossas casas se concentram nos vales
Onde guardamos nossos segredos
            É uma convivência gostosa
De crianças e brinquedos
E entre os adultos amizades.

Logo de manhãzinha o galo canta
Ainda de madrugada o povo levanta
Minha gente, nossa gente sai a trabalhar
Nas terras férteis a esperar.
Agora vamos plantar
E amanhã vamos colher.

O beija-flor já vem ligeiro
Ver a flor desabrochar
Para sentir o seu cheiro
E ainda lhe beijar
Passarinhos cantam felizes
No céu a voar.
 
Na comunidade da mata dos Palmitos
Tem dona Maria do Zé Nosso
É deste jeito que ela é conhecida
Prepara a festa de nossa Senhora Aparecida
Com rezas, cantos e procissão
Recebendo de nós, fiéis, toda gratidão.

Ah! Minha Mata querida
Beleza única da minha vida
Profundo amor sinto por ti
Nesta minha infância vivida!
Pudera eu eternizar em livros
Seus cantos, suas cores e amores.

#Categoria 3 – Crônica – texto vencedor
 
Escola: Escola Municipal Tomás Antônio Gonzaga
Aluna: Ingrid Lara Barbosa Oliveira
Professora: Walquíria Antunes dos Santos Silva
 
De pés descalços
 
A caminho de casa, subindo e descendo as ladeiras da cidade de Ouro Preto, vejo entrar em um armazém uma menina franzina, muito espertinha, cabelos ondulados e sem brilho, pele morena, vestida com uma roupa muito suja e maltrapilha, de pés descalços.
Como eu estava muito cansada, resolvi parar um pouco para descansar e observar melhor aquela pequena menina. Ela estava parada diante do balcão de madeira com os bracinhos estendidos mostrando uma pequena moeda àquele velho senhor de semblante mal-humorado e irônico.
_ O que é que foi? – Disse ele com muita má vontade.
_ Eu quero isso de balas – falou baixinho a menina colocando ali, sobre o balcão, sua moedinha como se ela fosse a mais valiosa do mundo.
_ Mal dá pra uma! – Retrucou o velho com voz rouca e olhar arrogante.
Olhei para aqueles pesinhos pequenos, sujos e suspensos de esmaltinho vermelho desgastado nas unhas tentando ver o conteúdo daqueles potes de vidro para escolher o sabor de uma única balinha.
Acostumada com a humilhação e miséria, abaixa sua cabecinha e sai daquele armazém antigo de portas e mesas de madeira de lei, chão de tábua, janelas estilo barroco, pintadas de verde, descascadas. Cheiro forte de mofo, de passado, de história...
Quando me viu, percebeu que estava lhe observando e me presenteia com um sorriso, olhar triste, infância perdida...
Assim encerro minha crônica, sonhando com sapatinhos de cristal para as meninas de pés descalços.

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