13 de julho de 2011

FESTIVAL COM A ESCOLA


 Dia azul... um avião desenhando o céu... o sol pra aquecer o corpo e esquecer o frio... e dança... muita dança!! Fomos assistir, terça feira, um espetáculo na concha acústica da UFOP - OBSTÁCULOS - do Grupo Impacto, um grupo de dança de rua de Viçosa (MG). O espetáculo traz na sua dança a possibilidade de falar das coisas da vida e seus obstáculos cotidianos... com destaque para alguns deles, como o preconceito, as questões sociais... Bonito ver o olhar das meninas e dos meninos diante dos outros meninos que na nossa frente dançavam, falavam... e também nos olhavam!! Um espetáculo à parte olhar para as crianças de algumas localidades de Ouro Preto que pela primeira vez vinham à cidade... conheciam algo que é deles e que ao mesmo tempo fica tão distante... e que viam a apresentação com curiosidade e também com encantamento... Algumas escolas da rede municipal de Ouro Preto puderam participar com a gente desse tempo tão simples e, ao mesmo tempo, tão bonito... boniteza da arte, dos olhares, do silêncio, dos aplausos... muita boniteza...    


O Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes 2011 tem como novidade nesta edição o Festival com a Escola, que busca consolidar o quadro de ações do UFOP com a Escola, programa de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Em parceria com o Carro Biblioteca, outro programa de extensão da Universidade, o Festival com a Escola cria dois pólos em Ouro Preto e dois em Mariana, transformando os institutos educacionais em ponto de encontro para o acesso à literatura e diversas outras atividades culturais.

Entre as atividades estão o Recreio Cultural e as oficinas de audiovisual, radio patrimônio, circo e iniciação em instrumentos musicais. Para todas elas foram selecionadas duas escolas pólos em Ouro Preto (Escola Municipal Professora Juventina Drummond e Escola Municipal Monsenhor João Castilho Barbosa) e duas em Mariana (Escola Municipal Monsenhor José Cotta e Escola Estadual Professora Santa Godoy), onde alunos de outras instituições municipais e estaduais de ensino também são convidados para participar.

O Festival com a Escola cria aproximação da Universidade com a comunidade e funciona também como um elemento de divulgação do Festival para a meninada e a comunidade local - um convite para que todos possam participar das outras atividades propostas dentro do Festival de Inverno como um todo e uma maneira de fazer com que a arte, a cultura chegue e provoque de alguma maneira as pessoas ainda distantes dessas possibilidades...

8 de julho de 2011

Sou do Morro - Eu também sou patrimônio


Dia 11 de julho, às 18h, acontece na Escola Municipal Professora Juventina Drummond uma mostra dos trabalhos que a escola - professores, alunos, funcionários, comunidade, parceiros - realizou no primeiro semestre letivo do ano. Nesse momento de encontro o Programa Sentidos Urbanos apresenta os desdobramentos das ações que foram iniciadas na Comunidade do Morro de Santana  através da Escola Juventina Drummond em maio de 2010 com o Projeto SOU DO MORRO - EU TAMBÉM SOU PATRIMÔNIO, uma ação da Casa do Patrimônio de Ouro Preto que é uma articulação institucional entre IPHAN, UFOP, FAOP, IFMG-OP e SME-OP.   


Vamos apresentar para a comunidade, junto com os alunos e os profesores da escola, os vídeos que foram produzidos durante as oficinas de audiovisual realizadas na escola. Oficinas que através do recurso audiovisual tem como objetivo trabalhar o patrimônio que atravessa e é atravessado por esses meninos e meninas, possibilitando uma reflexão desse patrimônio que parte do sujeito para o mundo, que pensa e repensa os valores, as relações que colorem o universo escolar... É uma aposta, uma possibilidade de ressignificações tanto para os alunos como para os professores do lugar que eles tem no "mundo" e do lugar que o "mundo" tem neles... uma aposta em novos instrumentos pedagógicos que, de alguma forma, vão refletir na rotina diária da escola, no processo de ensino e aprendizagem...


Para aproveitar o momento de encontro com a comunidade escolar vamos entregar o projeto de reforma construído para a Bica do Córrego Seco, local escolhido pelos alunos e pelos professores como um patrimônio do Morro de Santana... Importante dizer que os moradores do Morro se articularam e reinvindicaram a limpeza contínua do córrego que é um local de muitas histórias e lembranças... Em novembro de 2010 foi realizado um mutirão de limpeza do córrego, em conjunto com outras atividades educativas, que disparou a ação de reflexão e de conservação da Bica que se extende até o momento com a continuidade e o início de várias ações realizadas na escola.



Além das oficinas de audiovisual para os alunos, esse ano aconteceram ações de arte educação com as profesoras da escola para trabalhar o Projeto Sou do Morro - Eu Também Sou Patrimônio no contexto da sala de aula, além dos grupos contínuos de conversação realizados pelo Serviço de Psicologia da SME com as professoras, um trabalho de formação e cuidado que utiliza a arte educação e a psicanálise como possibilidade de intervenção e que conta com a contribuição do Grupo Mambembe (UFOP) em sua ação. Ufa... um tanto de coisa!! E falando em Grupo Mambembe... após uma experiência no ano passado, o grupo passa a ser nosso parceiro no trabalho no Morro, oferecendo aos alunos oficinas semanais de teatro e música. 
 
Bem... é isso... isso tudo!! Um convite... uma possibilidade de conhecer uma ação e de discutir sobre ela... fortalecer... para fazer crescer... Crescer na direção daquilo que cada um considera como educação... novos olhares, novos lugares, desejos despertados... histórias, memórias... pessoas... lugares... patrimônio e sentido... sentindo...
  

7 de julho de 2011

O CINEMA COMO FERRAMENTA EDUCATIVA

O programa UFOP com a ESCOLA em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Ouro Preto oferece para o segundo semestre de 2011 o curso "O CINEMA COMO FERRAMENTA EDUCATIVA" tendo como público todos os professores que atuam no Ensino Fundamental (1º ao 9º ano).
 
O cinema é um recurso lúdico que  mobiliza não só a razão mas também as emoções, o que faz com que os alunos se envolvam e tenham mais disposição para aprender.  O filme facilita a discussão de temáticas que às vezes podem ser bastante complexas e difíceis de trabalhar em sala de aula. É importante aproveitar essa expectativa positiva para atrair o aluno para os assuntos do próprio planejamento pedagógico. Além disso, é ideia também utilizar filmes para a formação dos professores, auxiliando no processo de ensino/aprendizagem. Serão apresentadas formas variadas para a exploração do filme, assim como indicações daqueles a serem empregadosl aliadas a sugestões de como fazê-lo. 
 
As fichas de inscrição  devem ser solicitadas e enviadas pelo email dde.smeop@yahoo.com.br para Juliana. As inscrições podem ser feitas até o dia 02/08. Mais informações pelo telefone 3559-3373.

Contamos com a colaboração de vocês para divulgação do curso... Incentivem a participação dos professores da sua escola...


20 de junho de 2011

O LUGAR ONDE VIVO...

A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é um concurso de produção de texto que busca estimular o aluno a se interessar mais pela leitura e a escrever melhor. Como o trabalho com a variedade textual é importantíssimo para o conhecimento do aluno, o concurso adota  este tipo de trabalho e premia nas seguintes categorias: poemas, memórias literárias, crônicas e artigos de opinião que são elaborados por alunos de escolas públicas de todo país. A olimpíada sempre acontece nos anos pares e em quatro fases/etapas – municipal, estadual, regional e federal. Parabéns a todos os participantes do concurso em 2010, em especial aos vencedores no nosso município. Conheça agora os trabalhos vencedores nas categorias poema e crônica com o tema " O lugar onde vivo." 

#Categoria 1 – Poema - texto vencedor
 
Escola: Escola Municipal  Padre Carmélio Augusto Teixeira
Aluno: Wesley João das Candeias
Professora: Rosângela Arlinda Estanislau
 
Inconfidências dos loucos

Antes, era do Tiradentes
Agora, do Tonico Zelador
Limpava em volta da estátua
Sem nenhum favor.
Tiradentes? Inconfidente!
Tonico? Zelador do Inconfidente?

Bené da Flauta, escultor solitário
Com as ladeiras de Ouro Preto, solidário
Ah! Se encontrasse com Tomaz
A solidão não lhe pertenceria mais
Mas a Inconfidência lhe antecedeu.

E a Sinhá?
Era a Olímpia!
Era a dona Carochinha
Era conhecida aqui, ali e acolá
Contava histórias e fez história!

Não foi Marília de Dirceu
Nem musa de Tomaz.
Em seus devaneios foi
confidente dos inconfidentes.
Ah! Se nas terras de lá houvessem
Os loucos de cá...

Bené é quem tinha razão
A vida é mesmo assim
“Quem é muito no começo
Chora saudades no fim”!
 
#Categotria 1 - Poema – classificado primeiro suplente

Escola: Escola Municipal Professor Francisco Pignataro
Aluna: Paula Ester Apolônia
Professora: Antonina Rodrigues de Paula Oliveira
 
Retalhos de um distrito
 
Pertenço a uma santa
Santa Rita de Ouro Preto
Ouro Preto é um tal de subir e descer
Descer e subir sem parar
Oh! Quantas subidas e descidas
Temos de agüentar?

Meu distrito não é tão pequenino
È formado por vários pedacinhos
Fico contente por morar em um deles
E por ter bons vizinhos
Compartilhando o meu caminho
Eu moro no Zezinho.

Minha Terra è de área montanhosa
Nossas casas se concentram nos vales
Onde guardamos nossos segredos
            É uma convivência gostosa
De crianças e brinquedos
E entre os adultos amizades.

Logo de manhãzinha o galo canta
Ainda de madrugada o povo levanta
Minha gente, nossa gente sai a trabalhar
Nas terras férteis a esperar.
Agora vamos plantar
E amanhã vamos colher.

O beija-flor já vem ligeiro
Ver a flor desabrochar
Para sentir o seu cheiro
E ainda lhe beijar
Passarinhos cantam felizes
No céu a voar.
 
Na comunidade da mata dos Palmitos
Tem dona Maria do Zé Nosso
É deste jeito que ela é conhecida
Prepara a festa de nossa Senhora Aparecida
Com rezas, cantos e procissão
Recebendo de nós, fiéis, toda gratidão.

Ah! Minha Mata querida
Beleza única da minha vida
Profundo amor sinto por ti
Nesta minha infância vivida!
Pudera eu eternizar em livros
Seus cantos, suas cores e amores.

#Categoria 3 – Crônica – texto vencedor
 
Escola: Escola Municipal Tomás Antônio Gonzaga
Aluna: Ingrid Lara Barbosa Oliveira
Professora: Walquíria Antunes dos Santos Silva
 
De pés descalços
 
A caminho de casa, subindo e descendo as ladeiras da cidade de Ouro Preto, vejo entrar em um armazém uma menina franzina, muito espertinha, cabelos ondulados e sem brilho, pele morena, vestida com uma roupa muito suja e maltrapilha, de pés descalços.
Como eu estava muito cansada, resolvi parar um pouco para descansar e observar melhor aquela pequena menina. Ela estava parada diante do balcão de madeira com os bracinhos estendidos mostrando uma pequena moeda àquele velho senhor de semblante mal-humorado e irônico.
_ O que é que foi? – Disse ele com muita má vontade.
_ Eu quero isso de balas – falou baixinho a menina colocando ali, sobre o balcão, sua moedinha como se ela fosse a mais valiosa do mundo.
_ Mal dá pra uma! – Retrucou o velho com voz rouca e olhar arrogante.
Olhei para aqueles pesinhos pequenos, sujos e suspensos de esmaltinho vermelho desgastado nas unhas tentando ver o conteúdo daqueles potes de vidro para escolher o sabor de uma única balinha.
Acostumada com a humilhação e miséria, abaixa sua cabecinha e sai daquele armazém antigo de portas e mesas de madeira de lei, chão de tábua, janelas estilo barroco, pintadas de verde, descascadas. Cheiro forte de mofo, de passado, de história...
Quando me viu, percebeu que estava lhe observando e me presenteia com um sorriso, olhar triste, infância perdida...
Assim encerro minha crônica, sonhando com sapatinhos de cristal para as meninas de pés descalços.